sábado, 23 de agosto de 2014

Do desenho à escrita

As pesquisas da neurociência nos revelam que escrever é uma atividade cultural 


Elvira Souza Lima
As pesquisas da neurociência nos revelam que escrever é uma atividade cultural, isto é, o cérebro precisa se organizar para escrever, uma vez que nele não há uma área específica para a escrita como há para a fala. É pela integração de várias áreas do cérebro que o ser humano chegou à escrita  Pelo desenho a criança desenvolve algumas destas áreas, mas para que elas se tornem memórias é necessário que a criança desenhe continuamente. Ao desenhar a criança traça a linha dando-lhe a forma que se origina em sua imaginação. O traçado, pelo exercício da imaginação, se transforma em significado narrativo. Paulatinamente, com o exercício da simbologia das formas gráficas e a construção do signo gráfico, a criança entenderá os elementos que formam as palavras e que cada palavra também tem um significado.

No currículo Viver a Infância, as atividades de lápis e papel comumente utilizadas para ensinar a escrever aos 4 e 5 anos foram substituídas por atividades que desenvolvem as áreas do cérebro necessárias para escrever. Todas as crianças inseridas neste currículo, mesmo sem ter tido atividades com letra bastão ou cursiva, apresentam, no primeiro ano do Ensino Fundamental, a evolução que mostraremos a seguir  A criança em questão foi introduzida à letra bastão no primeiro ano, mas não à escrita cursiva. No entanto, quando solicitada a escrever no papel a sentença O gato mia., ela o faz sem dificuldade.

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Formas circulares

A criança inicia a atividade simbólica do desenho pelo registro com movimentos repetidos evoluindo para formas circulares e fechando a linha. Aos 4 anos, no início do ano, ela apresenta exploração do desenho com uso de linhas que se organizam em formas arredondadas ou com ângulos. Já surgem organizações de traçado que são as bases para escrever na cursiva, inclusive, letras como t l b p q f g d.



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Formas semicirculares

A prática diária do desenho leva ao domínio de linhas semicirculares. Nos desenhos das borboletas, percebe-se que as asas, ao serem separadas do corpo, formam nitidamente a forma cursiva da letra E e o algarismo 3. Podemos identificar neste desenho os movimentos necessários para traçar todas as letras do alfabeto. Além disso, a criança desenvolveu a simetria e senso de proporção, claramente presentes na composição e, igualmente, necessários para escrever.

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Escrita cursiva

Mesmo sem ter sido ensinada a escrever em letra cursiva, quando solicitada a fazê-lo (escrever O gato mia.) ela é capaz de fazer a discriminação de cada palavra e organizá-las no espaço do papel sem pauta. Assim, aos 6 anos, frente à tarefa de copiar a sentença escrita na lousa em letra cursiva, a criança utiliza os acervos de sua memória de traçados e de organização espacial, realizando com segurança a escrita cursiva, incluindo o ponto final. As formações neuronais obtidas com a prática extensiva e diária do desenho possibilitam dominar totalmente os aspectos gráficos da escrita. Constatamos, então, que há um processo natural no percurso do traçado do desenho ao traçado da escrita cursiva  Elvira Souza Lima é pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música.

http://www.revistaei.com.br/edicao/10/tracados-e-sentidos/do-desenho-a-escrita

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

EDUCAÇÃO INFANTIL

Lição de casa na Educação Infantil: limites

Educar

Especialistas opinam sobre como devem ser as atividades para casa nessa fase escolar


Texto Iana Chan
Foto: Claudia Marianno
Foto: licao de casa
"A experiência nesta fase deve ser ligada à descoberta do mundo, do outro, da vivência e da brincadeira", Tânia Fortuna, professora de Psicologia da UFRGS
Os benefícios de fazer uma boa lição de casa estão comprovados por diversas pesquisas. As tarefas escolares bem elaboradas ajudam a fixar o conteúdo, ensinam a importância de estudar fora da escola e até desenvolvem a responsabilidade e a autonomia. Então, quanto mais cedo a criança começar a fazer lição de casa, melhor, não é?! Não, não é bem assim!
1808Lição de casa é participação 
Confira mais dicas como estas no especial Lição de Casa.
A Educação Infantil, que atende crianças de até seis anos, é uma etapa importante para os pequenos, que influenciará toda a trajetória escolar e, por isso, seu ritmo deve ser respeitado.
Frequentar uma boa pré-escola garante às crianças mais chances de ter um desempenho escolar melhor e de se tornarem mais cooperativas, independentes e sociáveis, segundo pesquisa da professora Brenda Taggart, do Instituto de Educação da Universidade de Londres. Com esse resultado, podemos entender qual é a principal função da Educação Infantil: desenvolver a socialização.
E as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, publicadas pelo MEC em 2009, determinam que a maneira adequada para promover esse desenvolvimento são as brincadeiras e as interações.

Tudo ao seu tempo 
As crianças muito pequenas não estão preparadas para completar exercícios e listas, muito menos dominar conteúdos pré-determinados. Exigir isso antes da hora é prejudicial. "Experiências importantes e necessárias para o desenvolvimento das crianças estão sendo substituídas em nome dessa aceleração da escolarização", alerta Tânia Fortuna, professora de Psicologia da Educação na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

A lição de casa geralmente está associada a uma rotina estudantil mais formalizada e muitos pais se perguntam, com razão, se a escola infantil está certa em mandar atividades para casa. Eles se preocupam, pois a tarefa pode se tornar estressante e desanimadora, criando nas crianças até uma aversão aos estudos.
O problema não é a existência da lição de casa em si, mas se o formato e o conteúdo propostos são apropriados para a Educação Infantil. "A experiência nesta fase deve ser ligada à descoberta do mundo, do outro, da vivência e da brincadeira", completa Tânia Fortuna.
Reunimos as principais dúvidas dos pais em relação ao tema e consultamos diversos especialistas para solucioná-las. Confira as respostas:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Deve haver lição de casa na Educação Infantil?
Os estudiosos não têm uma opinião só. Lourdes Atié, socióloga e especialista em Educação Infantil pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) acredita que a lição de casa não deve fazer parte da vida das crianças nesse período. "O que ela tem de fazer fará no universo escolar", defende. Para ela, as crianças pequenas não têm maturidade para construir seu papel de estudante e aprender a disciplina de estudo. "A consequência é que acaba sobrando para os pais", completa.

Na escola Estilo de Aprender, em São Paulo, os professores propõem de vez em quando atividades leves para serem desenvolvidas com a família, como leitura, desenhos e pequenas pesquisas. "Crianças de dois a cinco anos são muito novas para entrarem na rotina de exercícios formais da escola", explica a Coordenadora Pedagógica da escola Julia Souto Guimarães Araújo.

O importante, na verdade, é avaliar se atividades propostas são adequadas. "O eixo da aprendizagem na Educação Infantil deve estar na brincadeira", reforça Clélia Cortez, coordenadora Instituto Avisa Lá, em São Paulo. E a lição de casa também deve ter essa visão pedagógica: centrada em experiências lúdicas e na descoberta livre do mundo.

http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/licao-infantil-736668.shtml

Elvira Souza Lima: Contribuições da neurociência para a educação - no...

Elvira Souza Lima: Contribuições da neurociência para a educação - no...: No ar matéria da competente jornalista Iana Chan, com quem tive o prazer de conversar longamente, sobre cérebro, desenvolvimento hu...

terça-feira, 15 de julho de 2014

Texto de Elvira Souza Lima

       


     Li hoje no Le Monde: maior ludicidade para o equivalente à nossa educação infantil na França. Frear a escolarização da educação infantil. Eis aí o que se apresenta nas orientações escolares para o próximo ano escolar, que se inicia em setembro nas escolas francesas. Ao invés de iniciar precocemente a escrita, a ordem do dia é promover o desenvolvimento infantil. E nós vamos na contramão de tantos países que resolveram desacelerar o tempo e diminuir as expectativas colocadas na criança pequena. Quando fui para França fazer o doutorado, tive o privilégio de participar do CRESAS, centro de pesquisa com uma estrutura autogestionária inovadora. Um dos temas de pesquisa era justamente sobre a escola maternal. Fui para uma destas escolas maternais, turma de 4 anos e me surpreendi com o tempo longo que era reservado para atividades de escrita. Com a reforma de 2002/2003 o currículo passou a privilegiar movimento, música, desenho, teatro, além de contação de história, poesia e recitação. Agora, mexendo outra vez no currículo, a França se aproxima pedagogicamente daquilo que Wallon já preconizava: à criança cabe viver sua infância. É o que neurocientistas estão revelando: brincar é um processo complexo de desenvolvimento e de aprendizagem. E além disso, um direito de toda criança, um direito humano.

https://www.facebook.com/pages/Elvira-Souza-Lima/186897868031973?ref=ts&fref=ts
Postado em: 07 de julho de 2014

Lições de neurociência



Mais infância Santa Catarina: Fotos

Mais infância Santa Catarina: Fotos: FOTOS DAS REUNIÕES TÉCNICAS REGIONAIS DO PROINFÂNCIA E DOS ENCONTROS COM PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL SANTA CATARINA III Reunião ...

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Bebês também podem ser leitores

Quando esperamos um bebê em nossa família, nos preparamos cheios de expectativas para recebê-lo: arrumamos seu quarto, compramos o enxoval e seu berço, fazemos chás de fralda, escolhemos as melhores mamadeiras e utensílios e muito mais! 
E os livros? Que lugar ocupam nessa espera?
Que canções iremos cantar-lhes? Com que parlendas brincaremos com eles? Que histórias povoarão os seus sonhos? Que poemas os farão apreciar a sonoridade das palavras?
Os primeiros livros dos bebês são o corpo, o rosto e a voz de seus pais. Os gestos, a intencionalidade da ação e a musicalidade da língua com a qual seus familiares comunicam suas atividades diárias e as canções que aprenderam na infância, são as “palavras” que serão lidas, desde cedo, pelos pequenos.
 Receber uma nova vida também trata-se disso: regá-la com a ternura e o carinho que há na linguagem escrita e falada para que possa chegar ao nosso mundo com segurança e alegria.
Além do leite materno e preciso nutrir nossas crianças com palavras! E, assim como nos preocupamos em oferecer-lhes os melhores alimentos para que cresçam fortes e saudáveis, é importante que estejamos atentos também às obras lhes apresentam o mundo das palavras escritas.
Daí a importância de sermos, de fato, presentes quando estamos juntos, de falarmos e cantarmos enquanto os tocamos e os acariciamos. Estas são as primeiras formas de aproximação das crianças com a leitura. Se juntarmos a isso o pretexto de ficarmos juntos para lermos bons livros, certamente, não estaremos formando apenas leitores, mas seres humanos melhores.
Confira uma seleção de livros testados e aprovados por pais e bebês ouvidos pela equipe do Leitura Em Rede:
bruxabruxaO livro Bruxa, bruxa venha à minha festa (Brinque-Book), de Arden Druce, tornou a autora conhecida no Brasil por ser adorado por leitores de todas as idades. Com uma longa experiência como bibliotecária para crianças, Arden criou essa história interativa e cíclica (o final nos remete ao começo novamente), que favorece a memorização e o reconto por leitores iniciantes. O texto repete um convite a vários personagens assustadores para uma festa, e é nas ilustrações que o leitor pode dar asas à sua imaginação. Pat Ludlow conseguiu expressar nas imagens, que ocupam toda a página e são ricas em detalhes, personagens monstruosos do mundo das histórias que, surpreendentemente, encantam as crianças pequenas.



35-48700-0-5-salada-saladinha-parlendasSalada, saladinha (Moderna) é um livro que mistura parlendas, adivinhas e trava-línguas nesta coleção da Moderna chamada “Na Panela do Mingau”. Se para o leitor adulto que já conhece esses textos é uma alegria poder revisitá-los, imaginem para o leitor iniciante que adentra numa atmosfera toda lúdica e estimulante. As letras em caixa alta e as páginas de um colorido muito vivo combinam desenhos que prezam pela simplicidade à brincadeira sonora, incitando à imaginação e ao erro como instrumento de prazer e aprendizado. Evidentemente, trata-se de uma leitura muito dinâmica e, por isso, combina com um ambiente em que a leitura seja dividida: ser alegre e rir junto com o outro é mais divertido do que sozinho! É um livro ideal para leitura em família, aproximando pais e filhos em um jogo que remete às brincadeiras sonoras que povoaram a infância de muitos de nós.

 
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Guido Van Genechten faz uma deliciosa brincadeira de descoberta nessa coleção dedicada aos pequenos. Por meio de um delicioso jogo de imagens, os leitores são desafiados a descobrir qual é o animal apresentado em cada uma das páginas.
Ao desdobrar a cartolina, o animal da capa vai se transformando em quatro outros muito diferentes. O último tem 70 cm.
Por ter um formato divertido e apresentar imagens intrigantes e atraentes, a obra pode tornar-se um divertido brinquedo nas mãos daqueles que estão começando a descobrir o mundo.
Do mesmo autor, a coleção ainda tem os livros É um gato?, É um ratinho? e  É um caracol? (Ed.Global).

 
Leitura em rede - A casa sonolenta
A casa sonolenta (Ática) faz parte da coleção Abracadabra que inclui outras obras consagradas da autora americana Audrey Wood e de seu marido, o ilustrador Don Wood, como O rei bigodeira e sua banheira e Os dez porquinhos. O livro apresenta um enredo acumulativo que encanta as crianças, através de repetições que dão um tom sonolento à leitura. A cada página, novos personagens aparecem para dormir na cama, até que uma pulga saltitante pica o rato e começa a acordar todos os outros. As ilustrações merecem destaque, pois as cores utilizadas se modificam de acordo com a atividade na casa: mais sombrias para o sono dos personagens e mais vivas para quando estão acordados.



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A primeira edição de A arca de Noé (Companhia das Letrinhas), do poeta carioca Vinicius de Moraes, foi publicada em 1970 e muito elogiada pela crítica. De lá para cá, os poemas já foram imortalizados em canções compostas por Toquinho e fazem parte do imaginário infantil de muitas gerações – prova de que se trata de um clássico. Dos 32 poemas que compõem o livro, 23 são dedicados aos bichos, incluindo os famosos “O pato” e “A foca”. Apresentados sob diferentes formatos, os textos ora trazem uma divertida conversa entre os animais, ora descrevem suas características e peripécias. As leves ilustrações em preto e branco são de Laurabeatriz e ocupam pequeno espaço nas páginas, primando pelo humor e delicadeza.
Por fazer parte do repertório de leitura de muitas gerações, a obra pode ser uma deliciosa porta de ligação entre as infâncias de pais e filhos.

 
Leitura em rede - Vai embora, grande monstro verde

Quem tem medo de seres assustadores? E de um grande mosntro verde? As crianças que lerem este livro, com certeza, irão se assustar… O monstro é formado a cada página e parece horripilante. Mas isso tem de parar: você pode dizer basta, pode dizer “Vai embora, grande monstro verde!”. Será que ele vai? Ed Emberley, artista-ilustrador, conseguiu tratar de um dos temas que mais assuta as crianças, o medo de monstros, de maneira criativa e bela.



 
Leitura em rede - O que tem dentro de sua fraldaLivros com pop-pup encantam as crianças por terem sempre algo para mexerem. Este, em especial, tem várias abas, todas para revelar o que tem dentro das fraldas dos animais. Ratinho é muito curioso e quer saber o que tem dentro de tudo, até mesmo nas fraldas dos amigos. Sempre que abrem uma encontram cocô, menos a do Ratinho que faz no peniquinho. É um bom livro para ser lido a crianças que estão no processo de desfralde e iniciar uma conversa sobre o tema.




 
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O sapo Bocarrão  (Companhia das Letrinhas) faz parte da mesma coleção que tem O porco narigudo e A girafa que cocoricava. É um divertido livro que encanta as crianças pelas dobraduras que saltam aos olhos e nos fazem reagir de diferentes formas. O sapo come moscas com sua boca imensa e sai perguntando aos outros animais o que eles comem, até encontrar um crocodilo enorme dizendo que come sapos de boca bem grande. No mesmo instante, Bocarrão fecha sua boca e pula no lago. O leitor infantil poderá interagir com o livro e desfrutar de ilustrações coloridas e cheias de vida.


 
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E como não poderíamos deixar de indicar, é preciso sempre apresentar aos leitores de todas as idades o universo maravilhoso dos contos de fadas.
As páginas de Meu primeiro livro de contos de fadas, ricamente ilustradas e coloridas por Julie Downing, ajudam o leitor a entrar no universo do mundo maravilhoso dos contos de fadas.
Histórias europeias tradicionais e amplamente conhecidas, como “Cinderela”, “Rapunzel”, “A Bela e a Fera”, mesclam-se a contos menos conhecidos do público brasileiro, como “A mulher do pescador” e “Diamantes e Sapos”.
Os recontos de Mary Hofmann não são de um único autor e, ao final, apresenta-se, além de uma pequena biografia de cada escritor, a respectiva autoria de cada texto.