terça-feira, 11 de março de 2014

O que um bom projeto para Educação Infantil precisa ter?
Ao escolher trabalhar com projetos, o professor de Educação Infantil precisa ter foco e clareza de seus objetivos. Um bom planejamento o ajudará a avaliar de forma permanente o projeto e a escolher intervenções adequadas para responder às demandas das crianças durante o percurso
Clélia Cortez - Revista Nova Escola ( www.novaescola.org.br)
1. Por que trabalhar com projetos na Educação Infantil?
Proponho uma reflexão sobre os sentidos da realização de projetos na Educação Infantil e os desdobramentos dessa escolha metodológica na ação educativa.
São vários os aspectos que devem ser considerados quando o professor escolhe esta modalidade organizativa para desenvolver sua ação com as crianças. O primeiro e, sem dúvida, o mais importante é o sentido que pode ser atribuído às aprendizagens. Muitas vezes ouvimos os profissionais envolvidos no trabalho com crianças pequenas contarem que desenvolvem projetos para trabalhar diversos temas visando alcançar diferentes objetivos.
Há projetos que têm como foco o desenvolvimento de comportamentos leitores ou visam à aproximação com determinados conceitos científicos ou fatos históricos, enquanto outros são voltados para os conhecimentos em arte. Enfim, são inúmeras as possibilidades de pesquisas feitas com as crianças que podem ser organizadas por meio desta forma de trabalho.
Os projetos podem reunir uma série de condições favoráveis para que a escola assuma sua maior responsabilidade: promover a construção de novos conhecimentos com sentido e profundidade. Mas, para que isso ocorra, quais são os pontos a que o professor deve prestar atenção?
Um aspecto muito importante é a escolha do tema. A quem cabe essa decisão: ao professor ou à criança? Reflexões feitas por professores em encontros de formação têm nos mostrado que a ideia de que um projeto só é significativo quando surge com base no que as crianças propõem é inconsistente. Algumas vezes, inclusive, sem que tenha consciência disso, o professor afirma que baseia a sua prática em uma abordagem democrática, mas, ao analisarmos com cuidado o planejamento e suas escolhas, vemos que as decisões consideraram mais o ponto de vista do adulto do que o da criança.

2. Foco do professor deve ser a ampliação dos saberes
As crianças são ávidas por conhecimento e o adulto pode potencializar esse interesse por tantos assuntos oferecendo boas perguntas e bons cenários de pesquisa. Isso não significa que o professor deve conduzir as ações considerando exclusivamente seu ponto de vista. Ao contrário, um projeto visa dar sentido às aprendizagens e isso ocorre desde o início, com a escuta do que pensam e narram as crianças e a relação que ele estabelece entre essa escuta e os propósitos de aprendizagens escolhidos para a atividade.
O papel do professor na condução de um projeto é de mediador, um provocador de novos sentidos e curiosidades. A intervenção acontece quando as crianças pedem e também quando ele mesmo vê essa necessidade e considera que há tempo adequado para acrescentar novas perguntas ou informações.
A atuação do professor, embora não tenha caráter direcionador, em nenhum momento deve ser de abandono. É preciso oferecer apoio constante para ampliar os saberes que circulam no grupo. A cada momento, o professor toma uma atitude que considera a curiosidade das crianças, as intenções da pesquisa, a possibilidade de intercâmbio de opiniões, a negociação conjunta durante os momentos de socialização (que, aliás, é uma intervenção permanente no projeto) e a oportunidade de sistematizar os conhecimentos construídos pelo grupo para serem retomados e discutidos ao longo do processo.
Outro aspecto que merece atenção é o desenvolvimento do percurso de trabalho. Quando o professor decide envolver um grande número de áreas em um mesmo projeto, não há dúvida de que ele possui a boa intenção de ampliar os conhecimentos das crianças. Contudo, é importante considerar que o excesso de conteúdos pode comprometer o aproveitamento de todo o potencial de conexões entre os assuntos e a construção de alguns conceitos. Para que a aprendizagem ocorra, é preciso envolver as crianças com regularidade em contextos de pesquisa em torno de um mesmo assunto e permitir que haja possibilidade de errar, socializar pensamentos, perguntar e estabelecer relações entre um conhecimento e outro.
Quando o planejamento e o desenvolvimento de um projeto transitam por muitos temas, as crianças podem não aprofundar seu conhecimento. E o conteúdo que, inicialmente, deveria estar no foco da intenção educativa termina por ser abordado somente de maneira superficial.

3. Projeto bem planejado é o que dá mais oportunidade de aprender
Estabelecer um foco durante o planejamento do projeto é essencial para que as crianças possam experimentar de fato o papel de pesquisadoras e serem protagonistas de sua aprendizagem. Quando são fornecidos tempo e condições para a continuidade do pensamento em torno de um assunto, as crianças têm mais oportunidades de elaborar novas conexões e isso, com certeza, pode envolver outras áreas do conhecimento. Mas é importante não perder a dimensão das expectativas de aprendizagens e pensar em intervenções que possam tanto relacionar como aprofundar os conceitos das diferentes áreas que serão trabalhadas.
Por exemplo, se o professor tem intenção de trabalhar as características dos animais marinhos em Ciências, é interessante que selecione boas referências de textos informativos para apresentar às crianças. Mas isso não é suficiente para afirmar que está tratando de procedimentos característicos das Ciências.
Muitas vezes, o trabalho fica mais voltado para a leitura do que para a investigação científica propriamente dita. Claro que isso não é um problema, se a escolha do projeto for apenas trabalhar com textos de caráter informativo e muitas produções interessantes podem surgir disso.
Porém, se o professor deseja trabalhar tanto com leitura e escrita como com os conteúdos de Ciências, é preciso estar atento a algumas questões. Nesse caso, o projeto deve desenvolver atividades relacionadas à leitura e à escrita como: leitura feita pelo professor, procedimentos para o estudo de um texto, seleção de elementos que dialogam com a curiosidade das crianças, registro pelo professor de textos orais elaborados pelo grupo etc.
E, para abordar os conteúdos de Ciências, esse mesmo projeto deve incluir observação de fatos e fenômenos, formulação de hipóteses, demonstrações e experimentos, reflexão sobre as leituras em diferentes fontes, registros, além das discussões e conclusões feitas de forma coletiva e individuais. Ou seja, também devem estar presentes atividades que fomentem a curiosidade e a construção de novos questionamentos relacionados às Ciências.

4. Curiosidade orienta o desenvolvimento do projeto e a ação do professor
Outro ponto a ser discutido é o tratamento destinado à curiosidade das crianças. Segundo o dicionário Houaiss, a palavra curiosidade está relacionada com o "desejo intenso de ver, conhecer, experimentar alguma coisa nova, original, pouco conhecida ou da qual nada se conhece"; "vontade de aprender, saber, pesquisar", ou ainda, "desejo irrequieto".
É inegável que as crianças possuem desejo constante de novos conhecimentos e isso pode ser explorado cuidadosamente em um projeto. Cabe ao professor selecionar o que é essencial para determinado processo de pesquisa e cuidar para que as perguntas elaboradas sejam de fato ferramentas para a reflexão.
Trabalhar a curiosidade significa promover a interação da criança com ambientes desafiadores que guiem seu pensamento para o que está em foco na investigação. É preciso ter em mente que os contextos planejados podem tanto alargar as experiências como restringi-las. Por isso, colocar as crianças como protagonistas de suas aprendizagens significa interagir com as suas narrativas e expressões, interpretá-las e sempre relacioná-las com a intencionalidade do projeto.
Essa não é uma tarefa simples. Exige reflexões constantes por parte do professor durante o planejamento e a ação. Por exemplo, se a intenção é gerar contextos significativos de leitura que favoreçam a imersão das crianças nas narrativas de qualidade, o professor pode planejar seu projeto levando em consideração a seguinte questão: o ambiente criado para a leitura (o acervo, o acesso aos livros na biblioteca, a organização do espaço da sala etc.) é convidativo?
Outras perguntas podem ser feitas: ao realizar a leitura do livro Chapeuzinho Vermelho em voz alta, por exemplo, o que as crianças poderão aprender com essa situação? Que intervenções podem ser antecipadas com base nas intenções de aprendizagem do projeto? A sequência de planejamento do projeto garante espaços para que as crianças recuperem e compartilhem suas observações sobre os textos apreciados? Com base nos conhecimentos que apresentam e, de acordo com o que foi colocado como intenção de aprendizagem, o que é preciso contemplar nos próximos planejamentos? Como esse projeto pode contribuir para que a leitura seja uma ação permanente na rotina do grupo?
Perguntas como essas podem ajudar o professor a conhecer mais as crianças com as quais trabalha e também a refletir sobre os objetivos e encaminhamentos pensados para o projeto.

5. Planejar sem abrir mão da flexibilidade

Outros aspectos que merecem destaque estão relacionados ao planejamento das etapas do projeto didático e a socialização de seus propósitos com o grupo. Cada situação planejada precisa apresentar bons problemas e relacionar os conhecimentos prévios das crianças com os novos, segundo o que o professor considera pertinente.
Há uma relação estreita entre o conjunto de intenções levantadas pelo professor e que foi compartilhado com as crianças como sendo as metas do projeto. Se o professor tem como objetivo principal ampliar o conhecimento sobre contos de fadas e combinou com elas a escolha dos textos para leitura e apresentação à comunidade escolar, é importante planejar situações que garantam a apropriação de determinadas noções antes de chegar a esse propósito final.
Portanto, o professor deve garantir a continuidade e diversidade de leitura dos contos, selecionar com as crianças os preferidos, ler daqueles que serão recontados, registrar e revisar os textos ditados, enfim, envolver as crianças de fato na resolução do problema que foi compartilhado durante o projeto.
O desafio (que, sem dúvida, requer empenho) é criar condições para que expandam as suas experiências e não para que fiquem dando voltas em torno do que já sabem.
Vale salientar que o planejamento, além de dialogar o tempo todo com as intenções de aprendizagem, demanda flexibilidade nas intervenções, pois não é possível prever tudo o que as crianças podem falar, pensar e relacionar após serem estimuladas por perguntas, pelos contextos de pesquisa, pelo acesso às informações de variadas fontes e, sobretudo, pela socialização dos conhecimentos com o grupo.
Ao trabalhar com projetos, o professor torna-se também um pesquisador do pensamento das crianças, dos conhecimentos pertences à cultura e da sua própria prática. Depois de um intenso movimento de investigação com e sobre as crianças é impossível não aprender também sobre si mesmo. 


terça-feira, 4 de março de 2014

Dica de Leitura:


Elvira Souza Lima
A Criança Pequena e suas Linguagens32 páginas

"A situação lúdica é um espaço privilegiado deste encontro entre adulto e criança e de reencontro do adulto consigo mesmo e com a história de sua infância. Tanto para a criança, como para o adulto, há um tecido histórico, geral e específico, que dá significado à experiência. É neste contexto histórico que se dará a formação das linguagens da criança pequena."

Elvira Souza Lima

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tel / fax: (11) 50836043

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Apresentação dos alimentos aos bebês da creche



Campanha Emagrece, Brasil


Por volta dos 3 anos, a criança já come sozinha e é comum que deixe de lado comidas nutritivas. Explore estes sabores e estimule novos hábitos dos pequenos
Alimentação na Educação Infantil

Introdução
Há um ditado popular muito famoso que diz que "é de pequenino que se torce o pepino". A explicação da expressão está no fato de que é possível direcionar o crescimento desta planta até a colheita. Isso é semelhante ao que ocorre quando alguém apresenta um comportamento às crianças da creche. Neste momento, elas agem muito por repetição, imitando o comportamento dos adultos ou dos colegas.


Esta atitude pode ser aproveitada para o que costuma ser um problema para muitos pais: a alimentação. Comer corretamente pode ser ensinado aos pequenos e é uma estratégia muito mais eficiente do que fazer barganhas ou prometer doces caso comam frutas e verduras. É fundamental que a criança não cresça associando comida saudável a um dever que será recompensado com algo que ache mais gostoso.

É comum que os pequenos se precipitem ao afirmar que não gostam de uma comida, principalmente se ela não for colorida, vistosa, doce ou já conhecida. Ajude a mudar este hábito indicando boas alternativas para as refeições da creche e mostrando que comida saudável pode sim ser muito gostosa. 

Para enriquecer ainda mais suas aulas, leia a reportagem 20 mitos e verdades, publicada no site da revista Saúde!, que explica algumas das dúvidas mais frequentes sobre alimentação infantil. 

Leia mais Por que comemos isto?
Leia mais Crianças fazem uma horta

Objetivos

  • Apresentar diferentes tipos de alimentos aos bebês
  • Estimular a curiosidade das crianças sobre  hábitos alimentares mais saudáveis
  • Reconhecer os sabores das comidas

Desenvolvimento
Alimentação correta, atividades físicas regulares, doses hormonais e os genes são os principais influentes para o crescimento. Ao contrário da herança genética, que é imutável, comer corretamente é um hábito que pode ser estimulado pela escola já na Educação Infantil.

Para crescer com saúde o corpo precisa de doses altas de alimentos energéticos, como carboidratos, e construtores, como proteínas. É necessário consumir também os reguladores (frutas, legumes e verduras), que auxiliam as atividades celulares e regulam todo o metabolismo fisiológico. Tenha isso em mente na hora de apresentar comidas às crianças. Experimente as texturas, as formas, o cheiro e o paladar de frutas e verduras e oriente os pequenos a conhecerem estes alimentos. Claro que o professor não pode deixar de reconhecer que as frituras têm gosto agradável ao paladar - e as crianças sabem disso. Mas é preciso saber, desde cedo, os riscos que as pessoas correm ao abusarem desse tipo de alimentação. Portanto, conscientize os alunos para a necessidade de todos os nutrientes na alimentação diária. 

A seguir, vamos apresentar algumas estratégias válidas para incentivar as crianças a comerem de maneira saudável. Os responsáveis pela alimentação das creches podem variar essas atividades conforme a necessidade e disponibilidade e não precisam seguir exatamente a sequência apresentada. Vale lembrar que fatores externos, como as estações do ano, também influenciam já que boa parte das frutas não estão disponíveis o ano todo. 

Atividade 1

Leve os alunos ao supermercado. Na primeira visita, eles vão querer ficar na área de brinquedos ou ver os alimentos "mais gostosos", como doces e biscoitos industrializados. Mas é importante insistir. Leve as crianças primeiro ao setor de frutas, verduras e vegetais crus. Muitos não conhecem estes alimentos como realmente são, só na forma de geleias e patês ou na fotografia da caixinha de suco. No supermercado elas poderão ver a fruta, tocar e sentir seu cheiro. Explorar as sensações contribui para aumentar o interesse e a curiosidade por estes alimentos, mostrando que são mais atrativos do que as crianças imaginam. 

Atividade 2
Levar as crianças para uma volta na feira também é interessante, mas tome muito cuidado por causa do movimento da rua e do trânsito. Se não for possível visitar uma feira livre, leve a turma em um sacolão ou traga algumas frutas e verduras para a sala. O mais importante é garantir que os pequenos tenham contato com a comida: peguem, sintam o cheiro, vejam como é a forma, a textura, se tem casca ou não e que observem a multiplicidade de cores dos alimentos naturais.

Atividade 3
Procure associar o cheiro ao paladar das frutas. Peça que as crianças comparem esses dois sentidos. Pergunte se o cheiro da fruta se parece com seu gosto. Compare as frutas com mais água - ideais para os dias de verão -  com as mais secas. Outra possibilidade é apresentar diferentes tipos de uma mesma fruta. Exemplo: laranja cravo, laranja lima e tangerina. Indique as diferenças entre o gosto, a cor, o tamanho e o formato delas.
Aproveite para reforçar a importância da ingestão de água e de sucos de frutas, que são coloridos e bem saborosos. Embora seja mais prático consumir sucos prontos ou refrescos em pós, eles costumam ter uma alta taxa de sódio, enquanto os sucos de frutas são mais nutritivos e sem conservantes. 

Atividade 4

Leve os pequenos para a cozinha e deixe que observem como os alimentos são preparados.  Uma visita à cozinha da creche pode surtir efeitos muito positivos. Ajude os alunos a observarem a lavagem dos alimentos, a separação de grãos e o corte das carnes e das frutas. As crianças costumam não ter noção, por exemplo, que a carne crua é mais dura do que cozida. Mostre esta diferença a elas, indicando que o cozimento dos alimentos facilita a nossa mastigação e também a digestão. Não esqueça de tomar muito cuidado com a segurança das crianças e faça esta atividade com ajuda de outros adultos. 

Atividade 5
Use a hora das refeições para contar as funções dos alimentos que estão sendo ingeridos. Diga que as carnes contêm proteínas que servem para a formação dos músculos. Leite e derivados têm um elemento chamado cálcio, fundamental para a rigidez dos ossos. Os sais minerais, que regulam o funcionamento do metabolismo, são encontrados em frutas e verduras. Explique também que os carboidratos fornecem a energia que precisamos para fazer todas as atividades do nosso dia a dia. Eles são encontrados em massas e pães.
Não deixe de destacar que, em geral, doces e salgadinhos têm carboidratos, mas estão associados a óleos e gorduras, cujo acúmulo prejudica a saúde. Conte estas informações para as crianças conforme elas comem. Isso é importante para explicar que o que comemos tem uma função no nosso organismo.

Atividade 6

É comum gostar de pães recheados, pizzas, biscoitos e achocolatados. Explique que esses alimentos derivam de vegetais que podem ser comidos antes de serem processados. Um exemplo: muitas crianças quando comem biscoitos recheados, preferem o recheio. Mostre que quando o biscoito tem sabor de morango, é porque foi produzido a partir desta fruta. Leve morangos para os pequenos experimentarem. Se possível, faça o mesmo com chocolate. A turma deve adorar este doce, mas poucos sabem que vem de uma fruta chamada cacau. Se possível, apresente esta fruta para a turma. Deixe que toquem, sintam o cheiro e provem. É provável que alguns vão dizer que tem gosto de chocolate, enquanto outros não vão achar qualquer relação entre os dois. 

Atividade 7
Corte pequenos pedaços de folhas como alface ou escarola e peça que as crianças experimentem. Leve também as folhas de alguns temperos como hortelã, manjericão ou orégano e mostre como os temperos dão cheiro e sabor à salada. 
Neste momento, explique que há óleos mais saudáveis, como o azeite, que também dão mais sabor aos vegetais. E que as manteigas, ainda que importantes para o corpo, só serão úteis se forem consumidas em pequenas quantidades, já que são muito gordurosas e a gordura causa doenças como problemas cardíacos. Outro tempero importante é o sal, que dá gosto às comidas, mas causa riscos para a pressão arterial por isso deve ser consumido com moderação. Converse com o responsável pela alimentação da creche e procure fazer com que as crianças se habituem a pouco sal na comida. 

Avaliação
Os alimentos e o momento das refeições podem ser muito úteis para a compreensão da importância de comer bem. As crianças, que normalmente são muito curiosas, podem ser estimuladas a experimentar alimentos saudáveis a partir das cores, do cheiro e da forma. Por meio das sensações, estimule a turma a preferir os açúcares das frutas ao açúcar refinado. Mostre que existem feiras e mercados onde é possível achar alimentos saudáveis. Observe o interesse dos pequenos ao longo das atividades. Veja se estão comendo frutas e vegetais com mais curiosidade e se dispensam atenção para os alimentos que antes não queriam.
Marcos D. Muhlpointner
Biólogo e professor de Ciências do Colégio I. L. Peretz.

Teatro: muito além da peça de fim de ano

Oficinas semanais ajudam a incluir a linguagem teatral na rotina dos pequenos

Com apuração de Paula Peres (novaescola@fvc.org.br). Editado por Elisa Meirelles

    No CMEI Vila Verde II, em Curitiba, toda semana as crianças têm um momento especial dentro da rotina: a oficina de teatro. Ela é conduzida pelos educadores Vaniluci de Souza Ferreira e Leones Chiquitti Júnior, que fazem parte da equipe escolar e são responsáveis pelo projeto nas 11 turmas de 4 e 5 anos, com 25 crianças cada uma. A ideia surgiu com o grupo teatral Caras e Bocas, criado pelos docentes em 2006. "No início, os adultos somente encenavam peças para os pequenos. Com o tempo, conseguiram parcerias e expandiram o projeto, dando início às oficinas", diz a professora Michele Wormsbecker, uma das responsáveis pela iniciativa. 

   A proposta é fazer com que as crianças tenham acesso à linguagem teatral por meio de vivências. "Nosso objetivo não é apenas a representação, mas o processo que leva a ela", diz Vaniluci. As oficinas duram entre 40 minutos e uma hora e acontecem ao longo de todo o ano. Paula Zurawski, graduada em Artes Cênicas e mestre em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), destaca a importância da regularidade das práticas voltadas à linguagem teatral na Educação Infantil. "Da mesma forma que a gente mantém atividades permanentes de artes visuais no cotidiano, as cênicas também devem ter constância. Caso contrário, o teatro se torna algo ocasional, pontual e limitado, não fazendo com que as crianças se apropriem de conhecimentos específicos da criação dentro dessa arte", defende. 

  As oficinas se dividem em dois momentos: nos primeiros meses do ano, são trabalhados sentimentos, sensações e expressões corporais e faciais. Depois, as turmas entram em contato com elementos do teatro, como figurino, iluminação, maquiagem e cenário. Para escolher as atividades, o grupo se baseia nas Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil da Prefeitura Municipal de Curitiba e fica atento aos desejos e às necessidades dos pequenos. "No começo, não usávamos tanto a iluminação. As crianças pediram atividades com luzes diferentes e incluímos o tema nas oficinas", exemplifica Vaniluci.


Sentir, conhecer e se expressar 

  Uma das atividades realizadas na primeira etapa do trabalho é a de expressão facial. Sentados em roda, todos conversam sobre o rosto humano e sobre como ele revela sentimentos. Os educadores perguntam o que faz eles se sentirem felizes, tristes, bravos etc. Depois da discussão, pedem que a turma escolha uma canção infantil, dentro do repertório que conhece, e explicam: "Vamos cantar essa música expressando sentimentos e fazendo cara de alegre, triste, choro, desconfiado, bravo e assustado". 

  Na oficina seguinte, o desafio é representar um animal usando apenas gestos e expressões, sem falar. A turma é colocada em roda, uma criança vai para o centro e faz a mímica. Os colegas tentam adivinhar sobre o que é, sem a participação de Leones e Vaniluci. Depois de alguém acertar, os dois questionam as crianças sobre o que poderia ser feito para complementar a performance e elas são convidadas a reinterpretar à sua maneira. "Um menino imitou um tiranossauro rex, mas ninguém conseguiu adivinhar. Um colega, então, disse: ‘Mas tiranossauro rex não é assim’. Depois, fez o bicho à sua maneira", conta ela. 

   Outra oficina interessante é a do chamado espelho vivo, fundamental no jogo teatral. Na sala, há um espelho, e as crianças são convidadas a ficar na frente dele, fazendo movimentos e analisando o que acontece. A educadora propõe, então, a brincadeira. Os pequenos são colocados em duplas e um tem de repetir exatamente o que o outro faz, invertendo os papéis depois. Paula ressalta o valor dessa atividade: "É muito desafiador se colocar na frente de um colega e tentar fazer o que ele faz, em silêncio. Uma grande sincronia entre os dois é necessária".

   Para a especialista, os professores têm de ter claro que o teatro é um jogo. As atividades realizadas em sala, portanto, precisam tratar desse trabalho conjunto. "Se eu crio uma cena e o meu colega não está concordando comigo, a situação teatral desaparece", defende


Entender e vivenciar o universo teatral 
   Na segunda parte das oficinas, os educadores trabalham elementos que agregam informações ao jogo teatral - iluminação, figurino, cenário e maquiagem - e os pequenos participam de uma série de atividades de interpretação. 

  A maquiagem é tema de quatro encontros. Para começar, crianças e docentes conversam sobre a chamada maquiagem social, usada no dia a dia. Os educadores mostram alguns produtos para a classe, maquiam as crianças e, depois, deixam que elas pintem umas às outras como quiserem. No encontro seguinte, os pequenos conhecem a maquiagem artística. A turma conversa sobre como ela ajuda a criar um personagem em uma peça e a mudar as feições dos atores. São propostas, então, duas atividades: na primeira, a turma escolhe personagens e os educadores fazem pinturas nos rostos para caracterizá-los; na segunda, eles pintam os pequenos sem explicar o que cada maquiagem representa. O desafio é criar diferentes papéis. 

Atividades semelhantes são realizadas com os figurinos. Todos discutem a importância deles para a criação teatral e são convidadas a se vestirem de diversas maneiras, usando roupas e assessórios disponíveis em classe. A educadora conta que quando está fantasiada é comum a garotada se organizar em pequenos grupos e produzir histórias. Ela acompanha a brincadeira e deixa que a turma crie livremente. 

As últimas oficinas são as de interpretação. As crianças elegem uma história infantil, listam os personagens e escolhem os que querem ser. Como as classes são grandes e não há papéis para todos, os educadores dividem a atividade. Quem não participa interpretando fica como plateia e entra em cena na semana seguinte. Às vezes, a vontade de participar é tanta que eles inventam personagens extras para terem a oportunidade de improvisar. "Um menino, durante uma oficina, levantou a mão e disse: ‘Bruxa tem morcego, né? Eu posso ser o morcego!’", conta Vaniluci. No fim, todos se reúnem para discutir quais interpretações mais gostaram e por quê.

1 Organização de oficinas Inclua atividades de teatro na rotina. Planeje oficinas semanais voltadas ao entendimento dessa linguagem.

2 Atividades de expressão Nas primeiras oficinas, trabalhe com os pequenos a relação entre as sensações e as expressões facial e corporal. Cantar mostrando sentimentos, fazer mímica, brincar de espelho vivo são algumas sugestões.

3 Fantasias e interpretação Em seguida, inclua elementos típicos do teatro na rotina. Oficinas de maquiagem, fgurino e cenário são interessantes. Finalize com atividades voltadas à interpretação, trabalhando com a turma o jogo teatral.
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Professora Bel: Jogo da melancia

Professora Bel: Jogo da melancia: 11 cartelas de EVA em formato de fatias de melancia. Cada "fatia" contém um número de 0 a 10. A criança deverá colocar a quant...